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quinta-feira, 15 de julho de 2010

Trajetória de Paulinho May é marcada por gestão participativa

O velório do ex-prefeito Paulinho May, falecido na noite de quarta-feira (14/7), acontece no Centro Municipal de Cultura/Museu Willy Zumblick, em Tubarão. A missa de corpo presente será realizada nesta quinta-feira (15/7), às 15h30min, na Catedral Diocesana. Em seguida, o sepultamento acontecerá no Cemitério Horto dos Ipês, no bairro Monte Castelo.

Segue abaixo contribuição do jornalista Laudelino Sardá que descreve um pouco da trajetória política e pessoal do ex-prefeito e vereador.

Paulo May, que governou Tubarão entre 1977 e 1982, é considerado o prefeito que dotou a cidade de infraestrutura e introduziu a administração participativa. No final dos anos 70, vários prefeitos do Brasil vieram a Tubarão conhecer a gestão participativa, que compreendeu o trabalho de planejamento dos bairros através de comitês formados por lideranças comunitárias.

Considerado um prefeito popular, Paulinho como era conhecido, habituava-se sair cedo de casa para a prefeitura caminhando pelas ruas, em uma verdadeira romaria em que populares o acompanhavam fazendo pedidos ou formulando sugestões.

O maior desafio da sua gestão foi recuperar Tubarão, que ainda sofria efeitos da grande tragédia, em que a cidade foi inundada e 199 pessoas morreram.

- O dilema maior foi recuperar a autoestima do tubaronense, que teve suas casas destruídas e seus negócios arrasados - dizia Paulinho.

Cerca de 40% dos tubaronenses foram reconstruir suas vidas em outras cidades e, por isso, “tivemos de recuperar toda a infraestrutura da cidade, além de motivar investimentos por parte da iniciativa privada”, observou o ex-prefeito em conversa com jornalistas sobre memórias da cidade.

Paulo May nasceu em 26 de abril de 1937, em Tubarão. Foi o nono filho de 10. O pai Paulo Jacob May e Maria Althoff May – Maricha -. Ele, neto de alemão. Foi alfaiate e depois comerciante de tecidos, armarinhos, Casas May e Casas Guido.

- A mãe foi o braço direito do velho. Além de ajudar nos negócios, cuidava dos 10 filhos - lembrava Paulinho.

O pai sempre dizia que Paulinho nasceu para negócios. Já na infância, habituou-se a ganhar dinheiro com figurinhas e se não fosse a paixão pela política “eu tinha sido, com certeza, um comerciante”, apostava o ex-prefeito.

Paulinho, que agora deixa a esposa Ilsa Fretta May, os filhos Vanessa, André, Mauricio, Paulo e netos, tinha como lema político “ouvir o que o povo pensa e quer”. Assim, instituiu um modelo de gestão cuja principal característica foi a de manter as portas da prefeitura abertas para a população.

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Sinais que ameaçam Tubarão

Por Laudelino José Sardá
Professor e jornalista
Contato: lj.sarda@unisul.br

Antes que a BR-101 seja concluída, rompendo agressivamente áreas urbanas, conclamo Tubarão a se proteger contra a invasão bárbara, de investidores gananciosos, exibindo cifrões nos olhos, de vampiros com adereços de sem-terras e de aves de arribação trazendo projetos espalhafatosos debaixo das asas.
Nos dois dias semanais em que vivo nesta terra, fico a bisbilhotar, na tentativa de diagnosticar os sintomas de deterioração do tecido social. E me entristecem as sucessivas notícias sobre a violência desencadeada por traficantes e consumidores de drogas. Inicia-se, em velocidade espantosa, a banalização de crimes, matando-se por quantias de dinheiro que não pagam um par de sapatos. E, no entanto, roubam vidas de valores incomensuráveis.

Tubarão, infelizmente, não foge à tendência das cidades brasileiras já desumanizadas, mais pela omissão do poder público. Contudo, há tempo suficiente para se combaterem as causas da enfermidade, de forma a preservar o espírito humano da cidade. Deve-se antecipar à necessidade de se erguerem muros de proteção, com a competência governamental na preparação das novas gerações para o exercício da cidadania com dignidade e ética. Da mesma forma, o governo não pode vacilar no exercício da sua autoridade, exigindo maior eficiência de órgãos federais e estaduais, na construção e preservação de uma sociedade sadia.

Bolsões de pobreza são os mais eficazes sinalizadores da degeneração social. E, no entanto, na maioria das cidades que convivem com esse cenário, criam-se muros invisíveis entre a pobreza e classes privilegiadas, num verdadeiro apartheid. A sociedade arma-se contra a pobreza, como se ela fosse a razão da violência.
Tubarão não pode assumir esse equívoco, sob pena de alimentar o apartheid. O processo de humanização de uma cidade implica, necessariamente, a eliminação rápida do menor foco de pobreza, proporcionando dignidade às famílias, ensejando-lhes condições para uma convivência social imune a preconceitos.

Sob esta ótica, a cidade pode sobreviver à epidemia nacional do empobrecimento vertiginoso das áreas urbanas, desde que a prefeitura eleja como prioridades investimentos nas atuais e futuras gerações, sem esquecer, é claro, das gerações envelhecidas, que só querem sentir o espírito humano da cidade. Sentar-se à beira do rio degustando um café matinal ou vespertino seria uma deliciosa alternativa, se o pobre Tubarão não estivesse agonizando, com suas águas poluídas e malcheirosas.

Publicado também no Notisul

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